E no final
do corredor andava Valentin com aquele cabelo cacheado louro escuro que me
fazia suspirar, sua camisa sempre apertada me provocava como nunca, sua bermuda
surrada depois do treino intenso de vôlei. As aulas já tinham acabado há horas
e eu devia estar em casa, mas em dias de treino eu sempre esperava um pouco
mais para voltar. Às vezes folheava um livro na cantina que ficava ao lado das
quadras onde se podiam ver os alunos suando a camisa. Na verdade o time não
importava, mas ele sim. Valentin importava para mim.
Pelo
reflexo dos armários eu conseguia ver a sombra dele, eu precisava saber onde
ele estava para continuar espiando sem ser percebido. Valentin agora passava a
um metro de mim, enquanto fingia que procurava qualquer coisa no meu armário.
Podia sentir o seu cheiro, ele estava suado e muitas pessoas ficariam
incomodadas com isso, porém isso só me excitava. E... Eu estava excitado. No
meio do corredor na escola, ótimo.
Na minha
mente eu imaginava no dia que ele me notaria, talvez só pra pedir uma
informação ou por educação. Mas nesse dia ele me puxava pelo braço, o livro que
estava na minha mão caia ao chão junto com o meu disfarce. Então ele me
empurrava com força contra o armário e eu “confuso” com a situação o empurrava
de volta. Nesse dia ele diria que sabia que eu não ficava ali por nada, sabia
que estava me olhando, e eu sem saber o que fazer ficaria calado. Logo depois
ele me abraçaria e nós riríamos juntos como amantes atuando como o dia que se
conheceram, nos beijaríamos e sairíamos correndo para sala vazia mais próxima.
Mas essa
hipótese me iludia, essa utopia me maltratava por dentro.
E eu estava
sozinho no corredor, eu e minha ereção. Valentin e o resto do time tinham
sumido da minha vista enquanto eu me perdia em pensamentos, na minha cabeça ele
continuava presente. Puxei minha mochila e joguei sobre meu ombro, não podia ir
embora, eu estava tão excitado que minha calça jeans me traia. Nenhum celular
preencheria aquele volume.
Entrei no
banheiro próximo da saída e por essa eu não esperava, lá estavam Valentin e
outros dois amigos. Meu estomago congelou sem aviso prévio. Sem manter contato
visual entrei em uma das cabines e ansioso eu me sentei. Eles conversavam do
novato do time que tropeçava nos pés frequentemente e parecia que ele foi a
atração principal da semana, mas o técnico era o único que não achava engraçado.
A voz de
Valentin se sobressaia como tudo nele. E meus pensamentos me levaram para outro
nível, talvez enquanto nós nos amávamos, não entramos numa sala vazia qualquer,
e sim nesse banheiro e ali estaríamos. Ele me puxaria para a cabine depois de
olhar cuidadosamente pela porta para certificar que ninguém nos chatearia.
Trancaria a porta e nossos corpos estariam suplicando para compartilhar calor
um com o outro.
Eu puxaria
sua camisa sem demorar e a minha sem eu notar já estaria jogada no chão perto à
dele. Nossas bocas se reconfortavam e nossas mãos explorariam a anatomia.
Compartilharíamos
beijos enquanto minha mão escorregaria para dentro de sua cueca depois que a
mão dele já estivesse dentro da minha, segurando firme meu pênis ereto e me
masturbando cada vez mais rápido. Aquela mão quente que me faria gozar em
êxtase.
É aqui o
nirvana? Então eu acordo. Com gemidos fugitivos tentando sair, tapo minha boca
em susto. Aparentemente ninguém me ouviu e sinto um gosto estranho nos meus
lábios, tinha algo nos meus dedos.
Foi quando eu percebi que gozei na porta da
cabine. Minha calça estava abaixada e minha mão encharcada. Não tinha mais
ninguém no banheiro, Valentin já tinha ido embora, fisicamente apenas.
Sempre que pensava nele, eu sentia seu
cheiro, mas essa era a única coisa que eu tinha certeza nele. Na minha cabeça
eu tocava sua pele, passava minha mão pelo seu rosto, beijava sua boca e
chupava seu membro até sentir minha boca recompensada pelo prêmio liquido. Mas
isso era na minha cabeça, tudo não passava de pensamentos frequentes que ele me
fazia ter. E cada dia que eu o via eu me perguntava quando o sentiria de
verdade.
