sábado, 14 de dezembro de 2013

Hid (Trecho 1)





E no final do corredor andava Valentin com aquele cabelo cacheado louro escuro que me fazia suspirar, sua camisa sempre apertada me provocava como nunca, sua bermuda surrada depois do treino intenso de vôlei. As aulas já tinham acabado há horas e eu devia estar em casa, mas em dias de treino eu sempre esperava um pouco mais para voltar. Às vezes folheava um livro na cantina que ficava ao lado das quadras onde se podiam ver os alunos suando a camisa. Na verdade o time não importava, mas ele sim. Valentin importava para mim.
Pelo reflexo dos armários eu conseguia ver a sombra dele, eu precisava saber onde ele estava para continuar espiando sem ser percebido. Valentin agora passava a um metro de mim, enquanto fingia que procurava qualquer coisa no meu armário. Podia sentir o seu cheiro, ele estava suado e muitas pessoas ficariam incomodadas com isso, porém isso só me excitava. E... Eu estava excitado. No meio do corredor na escola, ótimo.
Na minha mente eu imaginava no dia que ele me notaria, talvez só pra pedir uma informação ou por educação. Mas nesse dia ele me puxava pelo braço, o livro que estava na minha mão caia ao chão junto com o meu disfarce. Então ele me empurrava com força contra o armário e eu “confuso” com a situação o empurrava de volta. Nesse dia ele diria que sabia que eu não ficava ali por nada, sabia que estava me olhando, e eu sem saber o que fazer ficaria calado. Logo depois ele me abraçaria e nós riríamos juntos como amantes atuando como o dia que se conheceram, nos beijaríamos e sairíamos correndo para sala vazia mais próxima.
Mas essa hipótese me iludia, essa utopia me maltratava por dentro.
E eu estava sozinho no corredor, eu e minha ereção. Valentin e o resto do time tinham sumido da minha vista enquanto eu me perdia em pensamentos, na minha cabeça ele continuava presente. Puxei minha mochila e joguei sobre meu ombro, não podia ir embora, eu estava tão excitado que minha calça jeans me traia. Nenhum celular preencheria aquele volume.
Entrei no banheiro próximo da saída e por essa eu não esperava, lá estavam Valentin e outros dois amigos. Meu estomago congelou sem aviso prévio. Sem manter contato visual entrei em uma das cabines e ansioso eu me sentei. Eles conversavam do novato do time que tropeçava nos pés frequentemente e parecia que ele foi a atração principal da semana, mas o técnico era o único que não achava engraçado.
A voz de Valentin se sobressaia como tudo nele. E meus pensamentos me levaram para outro nível, talvez enquanto nós nos amávamos, não entramos numa sala vazia qualquer, e sim nesse banheiro e ali estaríamos. Ele me puxaria para a cabine depois de olhar cuidadosamente pela porta para certificar que ninguém nos chatearia. Trancaria a porta e nossos corpos estariam suplicando para compartilhar calor um com o outro.
Eu puxaria sua camisa sem demorar e a minha sem eu notar já estaria jogada no chão perto à dele. Nossas bocas se reconfortavam e nossas mãos explorariam a anatomia.
Compartilharíamos beijos enquanto minha mão escorregaria para dentro de sua cueca depois que a mão dele já estivesse dentro da minha, segurando firme meu pênis ereto e me masturbando cada vez mais rápido. Aquela mão quente que me faria gozar em êxtase.
É aqui o nirvana? Então eu acordo. Com gemidos fugitivos tentando sair, tapo minha boca em susto. Aparentemente ninguém me ouviu e sinto um gosto estranho nos meus lábios, tinha algo nos meus dedos.
     Foi quando eu percebi que gozei na porta da cabine. Minha calça estava abaixada e minha mão encharcada. Não tinha mais ninguém no banheiro, Valentin já tinha ido embora, fisicamente apenas.
     Sempre que pensava nele, eu sentia seu cheiro, mas essa era a única coisa que eu tinha certeza nele. Na minha cabeça eu tocava sua pele, passava minha mão pelo seu rosto, beijava sua boca e chupava seu membro até sentir minha boca recompensada pelo prêmio liquido. Mas isso era na minha cabeça, tudo não passava de pensamentos frequentes que ele me fazia ter. E cada dia que eu o via eu me perguntava quando o sentiria de verdade.

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